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Diferenças de Gênero nas Preocupações com Comportamento Sexual Compulsivo

Diferenças de Gênero nas Preocupações com Comportamento Sexual Compulsivo
Diferenças de Gênero nas Preocupações com Comportamento Sexual Compulsivo
Índice

O Transtorno de Comportamento Sexual Compulsivo (CSBD) gera um debate intrigante: até que ponto o comportamento sexual é uma patologia ou um reflexo de normas sociais e culturais? Reconhecido na 11ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), o CSBD envolve dificuldade em controlar impulsos sexuais, causando sofrimento pessoal ou social. No entanto, a legitimidade do diagnóstico é amplamente questionada.

Crenças religiosas e expectativas sociais moldam culturalmente a percepção da compulsão sexual. O que é considerado ‘viciante’ em uma cultura pode não ser em outra. Essa variação complica a criação de critérios diagnósticos objetivos, especialmente quando sentimentos de culpa e vergonha influenciam a percepção dos indivíduos sobre seus próprios comportamentos.

O estudo conduzido por Joshua B. Grubbs e publicado no Sexual Health & Compulsivity aprofunda-se nessa complexidade ao explorar como homens, mulheres e minorias sexuais vivenciam o comportamento sexual compulsivo. Mais do que categorizar, os pesquisadores analisaram os fatores culturais e sociodemográficos que moldam essas experiências.

Diferenças de Gênero no Comportamento Sexual

O estudo revelou uma discrepância clara entre homens e mulheres quanto às preocupações relacionadas ao comportamento sexual. Enquanto 11,8% dos homens relataram angústia com comportamentos descritos como “adictivos” ou “viciantes”, apenas 3,4% das mulheres apresentaram a mesma preocupação.

Homens destacaram práticas solitárias, como masturbação e consumo de pornografia, como fontes principais de inquietação. Isso reflete uma pressão cultural sobre o controle da sexualidade masculina, muitas vezes associada a ideais de força e autocontrole. As mulheres manifestaram mais preocupações com comportamentos sexuais realizados em parceria, como encontros casuais frequentes, por causa das expectativas e pressões sociais frequentemente direcionadas a elas. A sociedade ainda enxerga a sexualidade feminina sob um viés cultural que associa a conduta sexual ao valor moral ou social das mulheres. Assim, conectando diretamente o comportamento sexual à maneira como elas são julgadas.

Contextos que reprimem a liberdade sexual feminina ou onde normas tradicionais predominam intensificam esse julgamento em relação às mulheres. Enquanto os homens tendem a ser mais aceitos socialmente ao terem múltiplos parceiros, as mulheres frequentemente enfrentam críticas ou estigmas, mesmo quando seus comportamentos são semelhantes. Esse peso das expectativas sociais pode gerar mais angústia nas mulheres, especialmente em relação a encontros casuais ou outros aspectos da vida sexual em parceria.

Essas disparidades indicam a necessidade de abordagens específicas por gênero no tratamento do CSBD. Ignorar tais diferenças pode levar a diagnósticos e terapias que não refletem as realidades vividas por homens e mulheres.

Juventude, Sexualidade e Expectativas Culturais

Jovens e minorias sexuais relataram preocupações mais elevadas em relação ao comportamento sexual compulsivo. Esses grupos, especialmente homens gays e bissexuais, apresentaram taxas mais altas de angústia do que seus pares heterossexuais.

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Culturalmente, esses dados podem estar ligados à pressão para se conformar a normas heteronormativas, que muitas vezes condenam expressões sexuais fora do padrão convencional. Homens gays, por exemplo, enfrentam estigmas tanto dentro quanto fora de suas comunidades. Dessa forma, intensifica-se a percepção de que suas práticas sexuais são ‘problemáticas’ ou ‘desviantes’.

Além disso, a juventude desempenha um papel importante nas taxas mais altas de preocupação. A era digital amplificou a exposição ao sexo, o que pode gerar ansiedade, especialmente em um contexto de julgamento social. Portanto, a maneira como as gerações mais jovens veem a sexualidade está em constante evolução, criando tensões entre normas tradicionais e novos padrões comportamentais.

A Influência da Religiosidade no Comportamento Sexual Compulsivo

Um ponto crucial identificado pelo estudo é o impacto da religiosidade nas preocupações com o comportamento sexual. Pessoas com fortes crenças religiosas são mais propensas a considerar a masturbação como problemática. Curiosamente, de acordo com o estudo, elas são menos inclinadas a ver encontros casuais como preocupantes.

Essa diferença mostra que contextos religiosos moldam a moralidade sexual. Muitas pessoas enxergam práticas solitárias, como a masturbação, como violações da pureza ou do autocontrole. Por outro lado, elas racionalizam encontros casuais como parte de um contexto relacional, especialmente em ambientes onde valores tradicionais ainda prevalecem.

Compreender essa dinâmica é vital para terapias que abordam o CSBD em populações religiosas. Respeitar essas crenças, mantendo ao mesmo tempo um compromisso com abordagens baseadas em evidências, é um equilíbrio delicado, mas necessário.

Termos “Adictivo” e “Fora de Controle” para Comportamento Sexual Compulsivo

Um dos achados mais intrigantes do estudo foi a diferença entre os termos “viciante” e “fora de controle”. Pois dois terços dos participantes que expressaram preocupação usaram apenas um desses termos, revelando uma variação na maneira como interpretam suas experiências.

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Homens, especialmente os heterossexuais, preferiram o termo “viciante”. Assim, essa escolha pode refletir uma tentativa de externalizar a responsabilidade pelo comportamento, alinhando-se a normas culturais que enfatizam a virilidade e minimizam o sofrimento emocional.

Já o termo “fora de controle” pode ser mais comum entre mulheres e minorias, então indicando uma percepção de perda de autonomia em um contexto social mais amplo. Essa distinção mostra que a linguagem desempenha um papel fundamental na compreensão das experiências e no desenvolvimento de intervenções adequadas.

O artigo completo, “What is the ‘Sex’ in Sex Addiction? Problem Behaviors Reported Among Those Endorsing Compulsive Sexual Behavior,” publicado no Sexual Health & Compulsivity  está disponível aqui.

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