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O Rei, o Papa e a Origem do Dia da Mentira

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Índice

Alexandre Cherman, Fundação Planetårio da Cidade do Rio de Janeiro

A Terra Plana fica imĂłvel no centro do Universo, enquanto Sol, Lua e planetas giram enlouquecidamente ao seu redor, ora por cima, ora por baixo, bamboleando pela borda para nĂŁo serem percebidos pelos iluminatis reptilianos.

MENTIRA! Tudo mentira. Uma clara homenagem ao “Primeiro de Abril”, Dia da Mentira. A Terra nĂŁo Ă© plana, nĂŁo estĂĄ parada e de todos os astros citados, a Lua Ă© o Ășnico que realmente gira ao redor de nĂłs. A Terra Ă© um planeta, e como bom planeta que Ă©, gira ao redor do Sol.

Girando e girando ao redor do Sol, independentemente do nome que dermos para esse movimento, a Terra leva 365 dias, 5 horas e 48 minutos para fechar um ciclo. Chamamos este ciclo de “ano”. O fato de nĂŁo termos um nĂșmero exato de dias em um ano, a incomensurabilidade, Ă© sempre um desafio para os calendĂĄrios. No nosso calendĂĄrio, o gregoriano, este desafio Ă© vencido com a criação do ano bissexto, cuja regra nĂŁo Ă© simplesmente “um dia extra a cada quatro anos”.

(A regra do ano bissexto diz que serĂŁo anos bissextos todos os anos mĂșltiplos de 4, a nĂŁo ser que sejam tambĂ©m mĂșltiplos de 100, com a exceção dos anos mĂșltiplos de 400. Complicado? Nem tanto
 SĂł precisamos ficar atentos aos chamados “anos seculares”, aqueles terminados em 00. Se esses anos forem mĂșltiplos de 400, serĂŁo bissextos, como qualquer outro ano mĂșltiplo de 4. Se nĂŁo o forem, serĂŁo uma exceção Ă  regra e nĂŁo serĂŁo bissextos, apesar de serem mĂșltiplos de 4. Isso aconteceu com o ano 2000, que foi bissexto, e talvez por isso a nossa geração nĂŁo se dĂȘ conta das nuances da regra dos anos bissextos. O ano 2100 nĂŁo serĂĄ bissexto. Nem 2200 e 2300. O prĂłximo ano secular a ter um dia 29 de fevereiro serĂĄ 2400. Por isso, leitor, tente se lembrar aonde vocĂȘ estava no dia 29/02/00. Essa Ă© a data mais rara do calendĂĄrio gregoriano!)

Um Pouco de HistĂłria

De volta Ă s voltas que a Terra dĂĄ ao redor do Sol:

Se quisermos contar as voltas, ou seja, contar os anos, precisamos marcar um “ponto de partida”. Como estamos falando de um movimento cĂ­clico, esse ponto de partida pode ser tanto um lugar no espaço como uma data. Para a maioria das pessoas, que nĂŁo tem o hĂĄbito de olhar para o espaço, trabalhar com uma data Ă© infinitamente mais simples. Mas qual data escolherĂ­amos para começar o ano?

Historicamente falando, hĂĄ uma preferĂȘncia pelo equinĂłcio de primavera. E como houve uma forte colonização global dominada por paĂ­ses e impĂ©rios do HemisfĂ©rio Norte, estamos, entĂŁo, falando do equinĂłcio de março.

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O primeiro calendĂĄrio romano, criado por RĂŽmulo quando fundou a cidade, começava justamente no mĂȘs de Martius, assim batizado em homenagem ao Deus da Guerra, Marte, supostamente pai de RĂŽmulo (e de seu irmĂŁo gĂȘmeo, Remo). Celebrar o começo do ano no equinĂłcio de março Ă© conhecido como “Estilo da Anunciação”, pois segundo o dogma cristĂŁo, foi nessa Ă©poca que Maria recebeu do anjo Gabriel a notĂ­cia de que seria a mĂŁe do filho de Deus.

HĂĄ quem prefira o “Estilo da Natividade” e comemore o novo ano no Natal, celebrando o nascimento de Jesus. Oficialmente, e jĂĄ hĂĄ muito tempo, usamos o “Estilo da CircuncisĂŁo”, celebrando o Ano Novo sete dias depois do Natal. Esse estilo foi incorporado pelos romanos antes mesmo da reforma de JĂșlio CĂ©sar, mas incrivelmente sĂł se tornou oficial para a Igreja com a reforma de GregĂłrio XIII.

Tradição de “pegadinhas”

Mas o que isso tudo tem a ver com as mentiras e o “Primeiro de Abril”?

Apesar de o inĂ­cio do ano civil ter sido transferido por JĂșlio CĂ©sar, ainda na Roma Antiga, para o dia 1Âș de janeiro, o começo do ano litĂșrgico da Igreja catĂłlica permaneceu em 25 de março.

Em 1564, no entanto, o rei Carlos IX da França decretou que seus sĂșditos deveriam respeitar o inĂ­cio do ano juliano como prescrito por JĂșlio CĂ©sar, em 1Âș de janeiro.

Os catĂłlicos protestaram, uma vez que o calendĂĄrio eclesiĂĄstico ainda se iniciava em 25 de março. Para marcar sua posição, passaram a celebrar de maneira ostensiva a chegada do seu “Ano Novo”. As comemoraçÔes duravam uma semana, fazendo com que o primeiro dia Ăștil do ano fosse, de fato, o dia 1Âș de abril.

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Os sĂșditos mais fiĂ©is do rei francĂȘs, que passaram a celebrar o Ano Novo em 1Âș de janeiro, hostilizavam os catĂłlicos que insistiam em usar o “Estilo da Anunciação”. Com o passar do tempo, as hostilidades deram origem a brincadeiras e “pegadinhas”.

AtĂ© que, em 1582, o papa GregĂłrio XIII promoveu o que ficou conhecido como a reforma gregoriana do calendĂĄrio, oficializando o inĂ­cio do ano eclesiĂĄstico em 1Âș de janeiro e concordando com o ano civil.

Mas a tradição das “pegadinhas” jĂĄ havia se formado, e acabou exportada para o resto do mundo. Desde entĂŁo, o dia 1Âș de abril Ă© conhecido como o “Dia da Mentira”.

E essa Ă© a mais pura verdade!

Este artigo foi publicado originalmente em 31 de março de 2024.

Alexandre Cherman, AstrÎnomo, Fundação Planetårio da Cidade do Rio de Janeiro

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This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

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