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Microdosagem de LSD Não Funciona Para TDAH, Revela Estudo Bombástico

Microdosagem de LSD Não Funciona Para TDAH, Revela Estudo Bombástico
Microdosagem de LSD Não Funciona Para TDAH, Revela Estudo Bombástico
Índice

O que acontece quando uma crença coletiva entra em choque com dados científicos? O estudo publicado na JAMA Psychiatry é um tapa na cara dos entusiastas da microdosagem: LSD, em doses baixas, não é mais eficaz do que placebo no tratamento de TDAH. Uma informação assim não deve ser suavizada. Durante seis semanas, adultos diagnosticados com TDAH tomaram microdoses de LSD acreditando que isso traria mais foco e controle. No final, quem tomou placebo teve até uma melhora ligeiramente maior.

A pergunta que fica é: quantas pessoas estão hoje se automedicando com substâncias psicodélicas, guiadas por relatos no Reddit e promessas de vídeos virais, sem qualquer respaldo clínico? É aí que mora a urgência oculta. Não estamos apenas falando de um modismo inofensivo — estamos diante de um fenômeno em que a fé supera a farmacologia. O estudo revelou que mais de 80% dos participantes acreditavam ter tomado LSD, mesmo quando receberam placebo, e essa crença foi o que mais influenciou nos resultados positivos.

Essa descoberta coloca um freio brutal na narrativa do “remédio natural revolucionário”. Ela nos obriga a reavaliar o quanto nossas percepções são manipuladas por expectativas e o quanto o marketing disfarçado de ciência vem ditando a forma como lidamos com transtornos sérios como o TDAH.

Placebo e Expectativa: As Drogas Mais Potentes Do Século?

A parte mais desconcertante do estudo foi o poder do efeito placebo. Os participantes melhoraram porque acreditaram que estavam sendo tratados. A ilusão foi tão forte que mesmo os que tomaram apenas açúcar encapsulado relataram menos impulsividade e mais foco. Isso escancara uma verdade que muita gente não quer ouvir: a mente humana é altamente sugestionável, e o culto ao psicodélico pode estar alimentando mais expectativas do que resultados reais.

Na era da biohacking e da automedicação com cogumelos, LSD e outros psicodélicos, o placebo ganhou status de protagonista. O estudo deixa claro: não houve diferença estatística significativa entre quem tomou LSD e quem tomou placebo. A diferença foi psicológica, não bioquímica. O que significa que há uma legião de pessoas obtendo alívio não por causa do LSD, mas por causa da crença no LSD.

Esse é um alerta para toda a comunidade que vê nas drogas psicodélicas a solução de problemas complexos. Não estamos negando o potencial terapêutico dessas substâncias em contextos específicos e com doses controladas, mas o culto à microdosagem como panaceia pessoal precisa urgentemente de freio.

A Ciência Não É Um Festival De Relatos: Precisamos De Ensaios Sobre Microdosagem de LSD, Não Histórias

O estudo conduzido por universidades da Suíça e da Holanda usou o que há de mais rigoroso em metodologia científica: ensaio randomizado, placebo duplo-cego, avaliação subjetiva e objetiva dos sintomas. Foi exatamente o tipo de estudo que os entusiastas da microdosagem evitam citar quando defendem seus relatos no YouTube.

A maioria das pessoas que adotam a microdosagem como rotina faz isso sem supervisão médica, sem diagnóstico formal, e sem medir efeitos colaterais de longo prazo. O estudo mostrou que, mesmo com dose considerada “alta” para microdosing (20 microgramas), os efeitos perceptivos ainda estavam presentes — e mesmo assim, não houve ganho clínico real. Ou seja, o custo-benefício da prática fica ainda mais questionável.

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Não há como sustentar promessas terapêuticas só com feeling. É necessário método, controle e replicação. A era do “funciona pra mim” precisa acabar quando se fala em saúde mental. O estudo coloca um espelho diante dessa cultura: será que estamos buscando ciência ou justificativas para nos doparmos com glamour?

Microdosagem de LSD: Um Estilo De Vida Ou Um Autoengano Coletivo?

Por trás da febre da microdosagem, há algo mais profundo acontecendo: a busca por controle em uma sociedade hiperestimulada. Para muitos, microdosar é um símbolo de autonomia, um jeito de driblar o sistema farmacêutico. Mas o que acontece quando essa solução mágica se mostra, cientificamente, inútil? A decepção é grande — e o risco, maior ainda.

Estamos diante de um cenário em que pessoas vulneráveis, insatisfeitas com medicamentos tradicionais, veem nas substâncias psicodélicas uma promessa de libertação. Mas essa libertação pode ser apenas uma outra prisão: a prisão da falsa eficácia. O estudo expõe com clareza esse risco. Não se trata de demonizar os psicodélicos, mas de entender que há uma diferença colossal entre substâncias terapêuticas e modismos existenciais.

Ao mesmo tempo, isso evidencia o poder que a própria expectativa exerce sobre nosso comportamento, foco e bem-estar. Talvez o maior ensinamento dessa pesquisa não seja sobre LSD, mas sobre nós mesmos: nossa fé cega em soluções simples para problemas complexos.

Temos Que Parar De Brincar Com Saúde Mental

A verdadeira urgência desse estudo é silenciosa, mas brutal: precisamos parar de romantizar soluções não comprovadas. O tempo e os recursos estão sendo gastos em promessas vazias enquanto milhões seguem sofrendo com transtornos sérios como o TDAH. A ciência acaba de dar um recado direto: microdosagem de LSD não é solução. Pode até ser uma experiência, um ritual, uma prática… mas não é tratamento.

A sedução da microdosagem passa agora a ter um concorrente mais forte: a própria ciência. Não estamos falando de proibir ou demonizar, mas de colocar cada coisa em seu devido lugar. O entusiasmo não pode substituir o método. E o desespero por foco não pode nos transformar em cobaias do próprio desejo.

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A urgência é parar. Pensar. E, principalmente, pesquisar — com critério.

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